“I knew the pathway like the back of my hand”

O assunto da terapia hoje foi solidão e luto. Tenho reclamado para minha amiga que nunca me senti tão sozinha. Sem ter com quem falar mesmo sobre as minhas coisas. Falei para a psicóloga que cogitei não ir hoje à sessão. Seria meu ato de rebeldia. Idiotice da minha parte, pois qualquer um pode ver que não estou na minha melhor fase.

Falei sobre a falta de empatia que ando sentindo, porque quero me proteger da incoerência do mundo. Falei sobre o desprezo. Sobre ser uma pessoa defeituosa e precisar de 3 comprimidos diferentes para conseguir passar pelos dias sem danos maiores. Falei da quase briga com a dentista que me desautorizou na frente da minha filha. E eu só não bati boca com ela, porque eu não estava falando naquele dia. Se qualquer palavra saísse da minha boca, eu desataria a chorar.

Choro todas as noites antes do remédio para dormir fazer seu efeito. Consigo ser pragmática na maioria das situações, mas não consigo lidar com tudo que aconteceu essa semana, que foi no mínimo horrorosa.

Eu sabia o caminho. Agora preciso de um novo mapa.

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“you never can tell”

Quando a pessoa tem depressão e está atravessando uma crise é como se alguém tivesse desligado o sol. Por mais clichê que isso seja, a sensação é mesmo essa; pois há o frio, que vem de dentro para fora e não encontra quem ou o que o combata; e há a falta de cores que a ausência da luz provoca.

O mundo. As pessoas. As sensações. Os sentimentos. Tudo fica acinzentado e perde o contorno. É como se tudo escorresse e mesmo que você tente segurar alguma coisa, mantê-la consigo, é impossível, pois a depressão o transformou em uma peneira, na qual todas as coisas boas passam, só as ruins permanecem.

Uma pessoa deprimida geralmente não tem muitos amigos, pois afastamos a todos com nossa tristeza inenarrável e eterna melancolia. Então, tudo e todos que rodeiam a pessoa depressiva é de suma importância para vida dela. Quando uma dessas coisas é perdida, é como se o mundo inteiro tivesse que ser reconfigurado mais uma vez e, de novo, a pessoa deprimida precisa se encaixar nele de algum modo, pois há de se continuar vivendo.

Esse processo de se re-encaixar eternamente em um mundo em constante mudança é bem cansativo. Há dias, como hoje, em que fica muito difícil respirar. Há momentos em que não se tem mais força para batalhar diariamente por um pouco de ar, um pouco de cor, de luz, de som.

Chega uma hora em que se deixa de ser pessoa. Passa-se a ser um não ser. Existe-se. Do jeito que dá e do jeito que não dá também. Porque falta o ar, a luz, a cor e o calor, mas sobra dias e dias e dias e dias intermináveis.

Nessa semana, eu perdi uma das peças essenciais do meu quebra-cabeça.

E como dói existir sem uma parte do ser.