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Eu detesto fazer aniversário. Não lido bem com a ideia de envelhecer. Ficamos mais sábios? Nem sempre. Ficamos mais frágeis? Com certeza.

Do meu aniversário, gosto da data. Outubro sempre foi o mês que mais amei. Esse está particularmente complicado. 2016, um ano difícil. John Fante poderia reeditar seu livro e colocar esse ano como um ano ruim, mas ele não está vivo e eu estou envelhecendo. E outubro está perdendo sua magia.

Tenho rituais. Um dos mais prezados é passar o dia do meu aniversário andando por aí. Não deu para fazer isso. Há mais preocupações na cabeça do que espaço para elas. Na terapia, falamos da minha ansiedade e da minha necessidade de controle. Nenhuma das coisas difíceis que estão acontecendo no momento depende da minha intervenção direta para se resolver. Isso me mata aos pouquinhos, porque eu preciso ter um plano. Não funciono sem um.

No hay banda, no hay orquestra.

E, no meio do perrengue, pensei: se isso acontecer, telefonarei para fulana, pois não darei conta sozinha.

Fulana sofreu um acidente.

***

Li pouco entre setembro e outubro. Um dos que mais gostei foi Perdoar e Pecar, do Leandro Karnal. Fui aluna dele e o livro é como ouvi-lo falar em aula. Caí nas reminiscências.

Implicaram com o fato de ele falar apenas do cristianismo, islamismo e judaísmo. Ah, mas ele não tratou do budismo, da wicca, do xamanismo, blábláblá. Cara-pálida, amigo, a História sempre faz recorte. E não é um livro sobre religiões (aliás, tem um Livro de Ouro das Religiões). Trata do perdoar e do pecar e de como as duas coisas estão ligadas.

Gostei sobretudo da parte que ele discorre sobre a primeira família, segundo a bíblia. O pai e a mãe deram ouvidos ao diabo, o filho mais novo foi morto, o mais velho vagou sobre a terra com o selo de assassino.

Tudo isso porque Deus gosta mais de ovelhas do que de produtos hortifruti. E pune pessoas que desejam conhecimento ou comem o que não deve.

(Aliás, interessante essa ideia de que o primeiro pecado se deu pela gula. Comilões sendo demonizados desde o princípio.)

Agora me diz, como poderíamos ter dado certo com esse background aí? (Hipoteticamente falando.)

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