“Women among women know how not to feel alone.” *

“Most of the women I saw on television didn’t seem like people I actually knew. They felt like ideas of what women are.” – Shonda Rhimes

Um dos livros que li em agosto foi Dez Mulheres, de Marcela Serrano, romancista chilena contemporânea. Duas coisas me chamaram a atenção para o romance: o título e o fato das tramas se desenrolarem em uma sessão de terapia em grupo.

A frase que destaquei como título, Mulheres entre mulheres sabem como não se sentir sozinhas, deixou-me pensativa. Em tempos de sororidade e “feminismos” acirrados; eu, Veronica, nunca me senti tão sozinha entre outras mulheres. Claro que me sinto à vontade com minhas amigas mais chegadas, com a terapeuta, com algumas mulheres incríveis que conheci pela Internet e que me apresentaram o feminismo que me representa e um dos amores mais profundos que já senti. Mas de um modo mais amplo, cada dia que passa, sinto-me mais e mais colocada de lado por grupos femininos que, alegando falar em nome de grupos de mulheres, excluem aquelas que, de partida, já são excluídas. É um vespeiro.

Excluem as travestis, as transgêneros, as brancas, as pretas, as mães, as heterossexuais, as bissexuais, as casadas, as não femininas, as femininas demais. Excluem porque a descrição não bate com a ideia de mulher praticada no grupo. E aí, eu me pergunto, o que é ser uma mulher?

Além da parte biológica da coisa, que ao meu ver, é o que menos importa no contexto.

Lendo as histórias das mulheres de Marcela Serrano, só consegui pensar que ser mulher é carregar consigo toda uma história que construíram para que você cumprisse o seu papel. Ser mulher é, no cenário atual, um papel pré-estabelecido e julgado o tempo inteiro. E não estamos no teatro shakespeariano. Nessa peça, nasce-se biologicamente mulher para exercer o papel.

E a sua atuação sempre será lamentável.

À mulher cabe a culpa. De tudo. De todas as coisas. Fazemos errado em todas as mitologias. Queimamos todas as largadas. Se somos mães, pecamos por não termos priorizado a carreira. Se somos ótimas profissionais, não somos boas em mais nada e, se comparadas a homens, seremos sempre inferiores. Se não curtimos sexo, somos loucas, problemáticas, desnecessárias. Se curtimos demais, somos promíscuas, mau exemplo, vagabundas, safadas. Se somos lésbicas, somos porque não encontramos o homem certo. Se optamos por não ter filhos, estamos contrariando a mãe natureza. Se somos a favor do aborto, somos assassinas. Se vivemos para a família, somos limitadas. Se não estamos nem aí com nada, não somos confiáveis. Aliás, confiáveis não somos nunca. Se somos bonitas, somos burras. Quer dizer, sempre somos burras, limitadas e não confiáveis.

O problema é quando esse discurso aí de cima passa a ser endossado por outras mulheres. O problema é quando limitam uma mulher à genitália dela, seja para reconhecer uma pessoa como mulher, seja para ver utilidade em uma. O problema é quando as mulheres não se reconhecem em outras mulheres e criam grupinhos e mais grupinhos só para aumentarem ainda mais a incrível quantidade de rótulos com os quais nos deparamos cotidianamente.

O problema é quando uma mulher deixa de ser mulher e mesmo assim segue com toda a história sobre os ombros, pois o mundo nunca esquece o que ela é.

Mulher. Um pecado. O pecado.

“Girls can wear jeans
And cut their hair short
Wear shirts and boots
‘Cause it’s OK to be a boy
But for a boy to look like a girl is degrading
‘Cause you think that being a girl is degrading” – What It Feels Like For A Girl, Madonna

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Autor: veronyx

"I am not a smile." - SP

4 comentários em ““Women among women know how not to feel alone.” *”

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