These are the days when anything goes*

Tem aquele momento em que você deixa de ser excêntrico e passa a ser um louco chato, insuportável e misantropo. E acho que estou quase cruzando essa linha.

A vida anda mais carregada do que de costume. Em 3 dias, 3 notícias de morte por câncer. Em dois meses, 5 mortes de pessoas próximas direta ou indiretamente. E também teve a cachorra. Ainda sinto falta dela. E não tenho nem 2 golpinho$ na carteira. Quando as coisas estão assim, até as minhas manias me irritam e fico me perguntando por que diabos tenho de fazer tudo do jeito que faço e como é exaustivo mudar. (Tenho aversão a essa palavra.)

Aí, em um clima de caderno de perguntas e respostas da 5ª série B (que agora seria 6º ano, mas wtf), resolvi listar essas peculiaridades que me impedem de ser uma pessoa não neurótica e que sempre vê o lado bom de tudo.

  1. Detesto beber água em copo, taça, caneca, o que seja. Só sinto que matei minha sede se tomar água de uma garrafa, assim, direto no gargalo. Não faço isso em casas alheias, é claro, e tenho uma garrafa só para mim aqui em casa.
  2. Para mim, o edredom, mesmo sendo daqueles dupla-face, tem um lado certo e que esquenta mais (!). Se não estiver do lado que acho correto, não consigo nem me cobrir, sinto formigamento, arrepios, coceira e não deixo ninguém dormir, enquanto o edredom não for colocado do lado certo. Isso me atrapalha, sobretudo quando vou dormir na casa de outra pessoa e elas gentilmente me oferecem uma coberta, um edredom desconhecidos. Demoro para decidir qual é o lado certo.
  3. Sou insone e isso é muito, muito ruim, porque sinto raiva por ser assim. Tomo remédios para dormir e mesmo assim custo a fechar os olhos. É costume dormir apenas 3 noites inteiras por semana (isso nas épocas boas).
  4. Eu leio. Qualquer coisa e quando digo isso é a mais pura verdade. Aprendi a ler aos 4 anos e quando falo que sou leitora compulsiva não é para me gabar. É mesmo uma compulsão que me traz problemas.
  5. Esforço-me para não corrigir pessoas, para falar com elas. Consigo falar bem diante de uma plateia, mas fico totalmente sem saber o que fazer quando se trata de falar com uma única pessoa. Sempre me acho inadequada. Um dia, uma pessoa disse que isso era orgulho, não é. Tenho medo de que descubram o quanto sou perturbada.
  6. Quando estou nervosa, falo sem parar e não penso bem no que estou falando. Isso já me gerou situações bem embaraçosas, principalmente em velórios e enterros.
  7. Falo sem parar também quando não quero falar sobre mim. Raramente falo sobre mim e se falo é com duas pessoas: a minha psicóloga e a Fal.
  8. Antes, eu dava opinião sobre tudo, todos e mais um tanto de outras coisas. Parei com isso e hoje sinto um enorme cansaço cada vez que preciso expor meu pensamento.
  9. Noutro dia, chamaram-me de blasé. Pensei bastante sobre isso e talvez eu seja mesmo, ou tenha ficado. Tem a ver um pouco com controle, pois tenho tendência à obsessão, procuro não me empolgar demais com coisas que sei que serão apenas o que são. Em contrapartida, empolgo-me com situações, gestos e algumas pessoas a ponto de chorar.
  10. Tenho uns lances de olhar para uma pessoa e saber exatamente de que tipo ela é. Sou boa julgadora de caráter. Tendo a gostar daquelas das quais outras pessoas não gostam.
  11. Não faço o mínimo esforço para agradar. Se me perguntarem alguma coisa, serei direta e franca. Não faço floreios, nem mesuras, nem elogios. Tipo, se eu falo que você é uma pessoa boa e legal, isso não é um elogio, é uma constatação.
  12. Durante muito tempo, fui adepta do cutting. Foi uma das coisas que me fez procurar tratamento a sério, não porque doía, mas porque as pessoas que convivem comigo não levavam numa boa.

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“I’ve been wondering if all the things I’ve seen

Were ever real, were ever really happening”

*Everyday is a Winding Road, Sheryl Crow

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Autor: veronyx

"I am not a smile." - SP

4 comentários em “These are the days when anything goes*”

  1. Verô, grande grande admiração por você. Tenho algumas parecenças, essa coisa da franqueza (às vezes excessiva, parece), o de ser boa julgadora de caráter… acho que tem outras também, não tão facilmente identificáveis. Já respondi a um questionário desse tipo, tá lá no Chopinho em algum canto. Um texto que chamava “duas listas e o lado sombra”, acho. O lado sombra: todo mundo tem.
    Um beijo grande.

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