“Eu canto porque o instante existe”

E porque minha vida não está completa, dona Cecília.

Então, capricha no carão, prepara o gogó e Lip Sync for your life, dear.*

As minhas 5 escolhidas em qualquer situação seriam:

Miga, esse é o hino do levanta, sacode a poeira e esfrega o salto 15 na melhor roupa do boy. É um tapa na cara da vida que vive passando rasteira e lhe enfiando na sofrência cafoníssima.

É ouvir essa música e sair dançando. ‘Cabou sofrência.

Fred me ensinou muita coisa, muita mesmo; mas essa música é aquela que canto sempre que saio da bad. Porque, cara, há dias, horas, segundos, minutos nessa existência em que todos deveríamos nos sentir como I’m a racing car passing by like Lady Godiva.

Primeiro porque é Vogue, segundo porque tem a dancinha e terceiro porque:

“When all else fails and you long to be
Something better than you are today
I know a place where you can get away
It’s called a dance floor, and here’s what it’s for, so”

Escolhi a versão com a Cassia Eller por um motivo simples: fui apaixonada por ela, mas até aí, quem não foi? Eu gosto do timbre e me emociono com ela cantando.

PS. Um dia, far far away, eu cantei essa música bebaça para uma pessoa muito especial. Valeu a pena.

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I exist on the best terms I can*

“The trouble was, I had been inadequate all along, I simply hadn’t thought about it.” – SP, The Bell Jar.

Agora me veio essa música do Joy Division na cabeça e eu gosto muito da voz do Ian Curtis, uma das cinco melhores na minha opinião e tem essa marcação com a bateria, que não casa com a voz e chega a ser um incômodo, como se fosse uma marcha prestes a começar, mas que nunca sai do mesmo passo, não avança; enquanto a letra destrincha a existência possível.

Quando chega neste verso Existence well what does it matter? I exist on the best terms I can, a bateria toca uma nota a mais e retorna para o refrão, para o incômodo. E fica nisso, num turbilhão indigesto, que de quando em quando dá alguns rompantes de agonia ou felicidade e, que no fim, volta a marcar o compasso.

Mas que diabos quero eu dizer com tudo isso? Tenho feito algumas coisas que, em outros tempos, eu não faria. Falei ao telefone longamente 3 vezes nessa semana, sendo que em uma delas, conversei com uma pessoa com a qual não falava há 23 anos. Estou tentando sair do refrão incômodo, mas, ao mesmo tempo, estou impregnada de tristeza. Aquela do tipo amargo, que afoga por dentro e que me dá vontade de chorar, contudo eu não consigo derramar uma lágrima e tudo fica maior e maior e maior e acabo implodindo e fazendo coisas que sei que não devo fazer.

E aí, a voz do Ian Curtis me fala:

Heart and soul, one will burn.

Não dá para ter tudo. Não dá para ser feliz & alegre, quando sou consumida por ansiedade e tristeza. Não dá para viver um segundo de cada vez, quando dois eventos estão em meu horizonte e não posso apressá-los ou vivê-los ou saber como será minha vida depois deles. E, caraglio, sinto-me à beira da catatonia.

These are the days when anything goes*

Tem aquele momento em que você deixa de ser excêntrico e passa a ser um louco chato, insuportável e misantropo. E acho que estou quase cruzando essa linha.

A vida anda mais carregada do que de costume. Em 3 dias, 3 notícias de morte por câncer. Em dois meses, 5 mortes de pessoas próximas direta ou indiretamente. E também teve a cachorra. Ainda sinto falta dela. E não tenho nem 2 golpinho$ na carteira. Quando as coisas estão assim, até as minhas manias me irritam e fico me perguntando por que diabos tenho de fazer tudo do jeito que faço e como é exaustivo mudar. (Tenho aversão a essa palavra.)

Aí, em um clima de caderno de perguntas e respostas da 5ª série B (que agora seria 6º ano, mas wtf), resolvi listar essas peculiaridades que me impedem de ser uma pessoa não neurótica e que sempre vê o lado bom de tudo.

  1. Detesto beber água em copo, taça, caneca, o que seja. Só sinto que matei minha sede se tomar água de uma garrafa, assim, direto no gargalo. Não faço isso em casas alheias, é claro, e tenho uma garrafa só para mim aqui em casa.
  2. Para mim, o edredom, mesmo sendo daqueles dupla-face, tem um lado certo e que esquenta mais (!). Se não estiver do lado que acho correto, não consigo nem me cobrir, sinto formigamento, arrepios, coceira e não deixo ninguém dormir, enquanto o edredom não for colocado do lado certo. Isso me atrapalha, sobretudo quando vou dormir na casa de outra pessoa e elas gentilmente me oferecem uma coberta, um edredom desconhecidos. Demoro para decidir qual é o lado certo.
  3. Sou insone e isso é muito, muito ruim, porque sinto raiva por ser assim. Tomo remédios para dormir e mesmo assim custo a fechar os olhos. É costume dormir apenas 3 noites inteiras por semana (isso nas épocas boas).
  4. Eu leio. Qualquer coisa e quando digo isso é a mais pura verdade. Aprendi a ler aos 4 anos e quando falo que sou leitora compulsiva não é para me gabar. É mesmo uma compulsão que me traz problemas.
  5. Esforço-me para não corrigir pessoas, para falar com elas. Consigo falar bem diante de uma plateia, mas fico totalmente sem saber o que fazer quando se trata de falar com uma única pessoa. Sempre me acho inadequada. Um dia, uma pessoa disse que isso era orgulho, não é. Tenho medo de que descubram o quanto sou perturbada.
  6. Quando estou nervosa, falo sem parar e não penso bem no que estou falando. Isso já me gerou situações bem embaraçosas, principalmente em velórios e enterros.
  7. Falo sem parar também quando não quero falar sobre mim. Raramente falo sobre mim e se falo é com duas pessoas: a minha psicóloga e a Fal.
  8. Antes, eu dava opinião sobre tudo, todos e mais um tanto de outras coisas. Parei com isso e hoje sinto um enorme cansaço cada vez que preciso expor meu pensamento.
  9. Noutro dia, chamaram-me de blasé. Pensei bastante sobre isso e talvez eu seja mesmo, ou tenha ficado. Tem a ver um pouco com controle, pois tenho tendência à obsessão, procuro não me empolgar demais com coisas que sei que serão apenas o que são. Em contrapartida, empolgo-me com situações, gestos e algumas pessoas a ponto de chorar.
  10. Tenho uns lances de olhar para uma pessoa e saber exatamente de que tipo ela é. Sou boa julgadora de caráter. Tendo a gostar daquelas das quais outras pessoas não gostam.
  11. Não faço o mínimo esforço para agradar. Se me perguntarem alguma coisa, serei direta e franca. Não faço floreios, nem mesuras, nem elogios. Tipo, se eu falo que você é uma pessoa boa e legal, isso não é um elogio, é uma constatação.
  12. Durante muito tempo, fui adepta do cutting. Foi uma das coisas que me fez procurar tratamento a sério, não porque doía, mas porque as pessoas que convivem comigo não levavam numa boa.

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“I’ve been wondering if all the things I’ve seen

Were ever real, were ever really happening”

*Everyday is a Winding Road, Sheryl Crow