When they ask me what I’ve seen I’ll say saturn and soliloquies*

“I’ve been blogging since February of 2001. When I started blogging, it was a dinosaur blog. It was me and a handful of tyrannosaurs. We’d be writing blog entries like, ‘The tyrannosaurus is getting grumpy.'” Neil Gaiman

Tendo a gostar de um punhado de palavras, mas detesto a palavra aglutinar (junto com vários anglicismos forçados e jargões corporativos). Essa palavra, em especial, lembra-me viscosidade e não suporto essa textura. Então, eu a troco por juntar, por formar, por englobar e, embora não haja sinonímia perfeita (uma das verdades que o curso de Letras me ensinou e me chocou – ah, que doce a época em que eu ainda me chocava com esse tipo de informação), faço de tudo para não usar palavras das quais não gosto.

Contudo, e há sempre um porém, nenhuma outra me ocorre para falar de um movimento que aconteceu lá no terciário da Internet, que foi os blogs. Costumo dizer que, quando cheguei online, tudo era mato e havia um conjunto de meia dúzia de pessoas que ficavam postando sobre a vida, o universo (particular) e não tudo o mais e que acabaram se conhecendo e estão aí até hoje. Durante um bom hiato, migramos todos para as redes sociais, mas sempre com aquela nostalgia dos blogs diarinhos impregnada nas nossas postagens e interações virtuais. Não éramos opinativos (não sempre) e, ouso dizer, fomos os primeiros mimizentos da rede, porque os blogs eram nosso muro das lamentações e foi através deles que montamos o nosso grupo de quase anônimos que batia ponto nas caixas de comentários para discutir, analisar, apoiar, dar pitaco, concordar, passar pela catarse, conhecer coisas e pessoas novas, paquerar, jogar verde para colher maduro e aprender.

E os blogs diarinhos foram morrendo, sendo substituídos pelos plubiposts, pelos looks do dia, pelos textões no FB, pelas imagens felizes do IG, pelos resmungos rápidos do Twitter; mas os jurássicos, os desbravadores, os diarinhos wannabe continuaram a nutrir aquela nostalgia e resolvemos nos juntar mais uma vez e afirmar que não, não, senhora Web 2.0, os blogs diarinho não morreram. Seus autores ainda existem e continuam escrevendo e mimizando e trocando informações, fofocas, comentários ácidos, apoio, paquerando, mandando música em forma de declaração de amor e se conhecendo em encontrões ao vivo, bem como fazíamos lá no começo dos anos 2000, quando o bug do milênio não aconteceu e tantos fins do mundo anunciados não tiveram a decência de se concretizarem.

E assim nasceu a:

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Os blogs juntinhos

Eu comecei com este lance de blogs lá em 2001, com o finado Sambambaia Psicótica. Passei anos explicando o porquê do título e que a sambambaia admite as duas variantes (samambaia também vale, mas adivinhem? Não gosto dessa palavra.). Queimei vários neurônios tentando entender o código do Weblogger; achava o Blogger chato e fui uma das últimas a abandonar a plataforma que depois foi comprada pelo Terra. Através do Sambambaia, conheci muitas pessoas legais e que fazem parte da minha vida até hoje. Fiz uma melhor amiga-irmã-camarada. Namorei blogueiros/as. Paquerei em caixa de comentário, troquei receita, marquei baladas (sempre na Trash 80, Loca, barzinho na Augusta), em uma época em que o nosso ponto de encontro era sempre na catraca de algum metrô da Paulista. O ponto alto foi quando uma professora de gênero da Unicamp citou meu blog durante uma aula. Eu estava presente, mas como assinava com o pseudônimo que até hoje uso, ninguém sabia quem escrevia aquele mimimi sem fim.

O blog me salvou durante os períodos mais densos das primeiras crises depressivas que eu tive. Quando ainda se usava a nomenclatura psicose maníaco-depressiva para designar Transtorno Bipolar, e esse foi meu primeiro diagnóstico. E foi bom saber que não estava sozinha, nem no mundo virtual, nem no real.

*Kimmia Dawson, Time to Think

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Autor: veronyx

"I am not a smile." - SP

5 comentários em “When they ask me what I’ve seen I’ll say saturn and soliloquies*”

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